29 de setembro de 2026
O que as funções executivas revelam sobre os comportamentos que se repetem
"Ele sabe o que deve fazer.” Saber e conseguir fazer são processos diferentes
O que as funções executivas revelam sobre os comportamentos que se repetem
Uma criança pede desculpas depois de empurrar o irmão. Explica a regra com clareza. No dia seguinte, empurra outra vez. A família conclui: “Ela sabe e faz de propósito.”
Às vezes, a criança realmente conhece a regra. Mas conhecer uma resposta em um momento calmo não garante conseguir selecionar essa resposta sob frustração. Para parar um impulso, manter uma instrução em mente e mudar de estratégia, ela usa habilidades relacionadas às funções executivas: controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Essas capacidades se desenvolvem por meio de experiências, relações e prática.
Essa distinção muda as perguntas do profissional. Em vez de apenas “Ela entendeu?”, vale investigar: em que situações ela consegue usar o que aprendeu? O que muda quando está cansada, contrariada ou diante de outras crianças?
Uma regra precisa virar uma ação possível
Considere uma criança que grita quando perde um jogo. Repetir “perder faz parte” pode ampliar seu vocabulário sobre a situação, mas talvez não prepare uma resposta para o instante em que perde.
Uma intervenção mais específica pode envolver observar os sinais anteriores ao grito, combinar uma pausa e ensaiar a frase: “Estou bravo. Quero tentar de novo depois.” O adulto mantém o limite para gritar ou agredir, ajuda a criança a se reorganizar e retoma o treino quando ela pode participar.
Isso não é uma explicação universal para todo comportamento. Frequência, intensidade, desenvolvimento, contexto e possíveis dificuldades associadas precisam ser avaliados. O valor da neurociência aqui é orientar uma hipótese melhor, não transformar uma hipótese em diagnóstico.
Para o profissional: ao registrar uma queixa, diferencie três pontos: o que a criança sabe explicar, o que ela consegue fazer em condições favoráveis e o que ainda não consegue sustentar nas situações difíceis. Essa diferença pode revelar o alvo real da intervenção.
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Instituto Eduque Bem
Michelle Bottrel e Sarah Mendonça
