29 de setembro de 2026
Adolescente que se fecha quando é corrigido. Insistir na conversa ou mudar a abordagem?
O silêncio é um dado da relação. Seu significado precisa ser investigado.
“Toda vez que tocamos no assunto escola, ele não fala mais nada.” O relato é comum. Alguns adultos aumentam a pressão porque entendem o silêncio como desafio. Outros desistem da conversa. Antes de escolher uma resposta, o profissional precisa perguntar quando esse padrão começou, como as conversas costumam ocorrer e o que o adolescente diz em outros contextos.
Na adolescência, planejamento, flexibilidade e autorregulação continuam se desenvolvendo. Ao mesmo tempo, o jovem precisa de participação real nas decisões compatíveis com sua idade. Isso exige dos cuidadores uma forma de comunicação diferente da usada com uma criança pequena.
Há uma tensão legítima nessa fase: o adulto continua responsável por saúde e segurança, enquanto o adolescente precisa experimentar escolha e responsabilidade. Se cada conversa termina com uma solução inteiramente decidida pelos pais, a participação do jovem vira apenas formalidade. Se os adultos se retiram de toda decisão, ele pode ficar sem o apoio de que ainda precisa. A orientação parental ajuda a definir onde cabe uma decisão autônoma, onde cabe negociação e onde o limite deve permanecer.
O momento e a forma da conversa influenciam o que será possível ouvir. Corrigir diante de irmãos ou colegas, acumular várias queixas de uma vez e usar rótulos sobre o futuro do jovem podem aumentar a defensividade. Uma pauta específica, espaço para a versão dele e um acordo revisável tendem a oferecer informação melhor para a próxima decisão profissional.
Uma conversa produtiva pode começar sem uma audiência, uma sequência de acusações ou a exigência de solução imediata: “Percebi que a escola virou um assunto difícil entre nós. Quero entender o que está acontecendo e combinar um horário para conversarmos.” O adulto mantém responsabilidade pelos limites relevantes, mas abre espaço para informação que ainda não possui.
O silêncio pode estar relacionado a vergonha, conflito, medo de decepcionar, necessidade de privacidade, sofrimento emocional ou simplesmente a uma conversa que sempre termina em briga. Nenhuma dessas hipóteses deve ser presumida como diagnóstico. Se surgirem sinais persistentes de sofrimento, avaliação adequada é necessária.
Para orientar a família, é preciso decidir o que perguntar, quando insistir, quando interromper a escalada e como construir acordos que o adolescente ajude a cumprir. Nosso livro oferece bases sobre desenvolvimento e regulação emocional na adolescência, além de diretrizes e atividades para apoiar a relação entre jovens e cuidadores.
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Instituto Eduque Bem
Michelle Bottrel e Sara Mendonça
